Na consulta anterior tinha-lhe dito que sabia o que eram surtos, já os tinha tido e há muito não os tinha mais. Ela prontificou-se para me trocar o medicamento. Eu não me mostrei interessado. Já sabia que não havia medicamentos para mim. O novo medicamento que ela sugeriu que eu tomasse era um medicamento experimental, ainda não aprovado, mais tarde, em alguns países, foi aprovado, mas não para a fase da doença que eu já tinha. E como soube depois da boca de quem o experimentou, os seus resultados não eram nenhuns. Poucas semanas depois parei de tomar o Betaferon. Na última consulta não me falou em mais nenhum medicamento e só me agendou novos exames que depois eu não fiz. Não vi nenhum interesse em repetir exames que, segundo a Dr.ª, diziam que eu estava bem (e se não estava melhor era porque já não havia nada a fazer) quando eu não me sentia nem bem nem melhor. Exames com que a Dr.ª, na minha presença, se entretinha com as alunas, mas que a uma pergunta minha sobre os mesmos respondia de uma forma deliberadamente imperceptível. Exames que eu não fazia sem previamente preencher e assinar montes de papéis dos quais nem todos eram inquéritos. Um ano mais tarde tive três notícias que me deixaram confortado a respeito da minha decisão. Numa clínica no Brasil, no espaço de dois meses, três pessoas morreram ao fazer o mesmo exame. Uma médica também, como eu, com esclerose múltipla progressiva secundária (esclerose de que já se tinha curado) nutria e manifestava uma completa indiferença pelos ditos.

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