Meses mais tarde, a Dr.ª Joana Guimarães informou-me, sem qualquer cerimónia, num corredor do hospital, que os exames tinham confirmado que eu tinha esclerose múltipla e que ela já tinha prescrito o medicamento que eu havia de tomar. Não houve da parte dela nenhuma palavra sobre a doença diagnosticada ou sobre o medicamento prescrito. E eu também não sabia nada sobre um e outro para lhe opor fosse o que fosse. Mas isso não me impediu, logo na minha primeira consulta de neurologia, de descrever os meus sintomas ao longo de 20 anos de forma que era claro que havia anos que já náo tinha esclerose múltipla remitente recorrente, mas esclerose múltipla progressiva secundária para tratamento da qual o medicamento prescrito não era indicado. Claro que a minha primeira consulta de neurologia não foi com a Dr.ª Joana Guimarães, foi marcada com o Dr. António Vilarinho e não sei se foi feita com ele.
A "comprovação científica" não me faz falta nenhuma. O dinheiro está-me a fazer alguma falta para me tratar e curar. Nem é o que parece ser. Tanta coisa que há com comprovação científica e que, no entanto, não tem a "comprovação científica" deles. É algo muito específico. Uma burocracia. Quando até há comprovação científica, uma redundância. Supérflua. Não ética, Supérflua, não interessa ao negócio. Mas é não ética. É com base nesta "comprovação científica" que se recusa tratar e curar. Por vezes até há a tal "comprovação científica" deles e eles dizem que não há (ou não tem) "comprovação científica". Percebi que os melhores tratamentos não têm "comprovação científica". Os melhores de todos não são sequer "científicos". "Comprovação científica" é uma grosseria. É negação de tratamento e cura. O medicamento que eu tomei tinha "comprovação científica". Mas não para Esclerose Múltipla Progressiva Se...
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