O medicamento tinha efeitos adversos correntes de tipo gripal. (Efeitos adversos correntes são efeitos adversos que, pelo menos uma pessoa em cada dez, tem.) A enfermeira - já falei nela, a enfermeira mais velha - recomendou-me que, sempre que tomasse o medicamento, tomasse também um Benuron e um Nimesulida. Eu mostrei resistência a acatar a recomendação, mas ela insistiu muito. "Pelo menos tome sempre um Benuron." E eu acabei por tomar sempre os dois porque sempre me vi ameaçado pelos tais efeitos adversos de tipo gripal e uma vez até cheguei a ter 38,5 de febre. Mas o medicamento tinha outros efeitos adversos correntes. A enfermeira também me disse que eu me ia sentir pior com ele. (Não me disse que eu me podia sentir pior com ele! Disse-me que eu IA!) "Então porque é que eu o vou tomar?!" "Para não ficar pior!" A lista de efeitos adversos que eu tive é comprida. Falta de equilíbrio! (Lembram-se do que eu já disse sobre a falta de equilíbrio?) Espasticidade. (Adiante volto a falar sobre a espasticidade.) Fadiga. (A fadiga agravou-se muito.) Insónia. Obstipação. Emergência urinária. Inchaço geral. (A fotografia que tenho no Facebook mostra como tinha a cara inchada.) Depressão. (Não me parece que se tenha agravado, mas creio que se agravaria caso não tivesse suspendido a medicação e virado as costas à Dr.ª Joana Vasconcelos.) Eu sabia que todos estes efeitos adversos passariam logo que deixasse de tomar o medicamento. E passaram. Logo ao segundo ou ao terceiro dia.

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