Estou a apanhar publicidade demasiado longa em vídeos guardados no YouTube. Não há maneira de a evitar. Posso tirar o som, mas se quero mesmo ver o vídeo tenho que deixar correr a publicidade até ao fim. Enquanto ela corre posso entreter-me com alguma outra coisa, sim. Esta manhã apanhei um publicitário mesmo longo e não cheguei a perceber o que ele vendia. Agora mesmo apanhei uma mãe que é cuidadora informal da filha que tem Esclerose Múltipla. Uma mãe nova, uma filha decerto mais nova ainda. E é um publicitário e não há maneira de deixar um comentário para dizer à mãe que a Esclerose Múltipla tem cura. Claro que a filha (já) é acompanhada por um médico e "os médicos é que sabem". Pois a verdade é que no caso da Esclerose Múltipla os médicos "não sabem, não querem saber e têm raiva de quem sabe".

Eu tive um diagnóstico muito tarde. Não tenho achado que isso tenha sido mau. Tive o meu primeiro surto oito antes das Bayer ter lançado no mercado o primeiro imuno-modulador para Esclerose Múltipla e, como disse uma vez na televisão o Dr. Joaquim Pinheiro, um neurologista que já me acompanhou (mas não tratou) antes disso eles os neurologistas não tinham nada para tratar a doença. Agora também não sei quanto tempo passou entre o medicamento ter sido lançado no mercado e ter passado a ser fornecido gratuitamente pelo SNS aos doentes. É um medicamento caro. Mas isto também não é importante porque segundo um outro neurologista, o Dr. Cícero Coimbra, que a dada altura passei a seguir, este medicamento e os outros idênticos depois lançados no mercado por outras farmacêuticas, não só não fazem nada como até podem fazer mal. Entretanto outros medicamentos têm sido lançados no mercado e também relativamente a esses não há garantia que façam alguma coisa a longo prazo. Supostamente todos estes medicamentos reduzem o número de surtos, mas não há evidência que evitem a evolução da doença de uma fase inicial para uma fase última para a qual as farmacêuticas continuam a não fornecer qualquer medicação.

Também numa primeira contabilidade de danos que eu fiz da minha doença, ela não tinha sido muito má para mim a não ser nos últimos anos antes do diagnóstico quando comecei a ter cada vez mais dificuldade em andar e associada a isso uma fadiga que mesmo quando me sentava não me permitia fazer nada. durante umas muito boas horas. Claro que não contabilizei a Depressão. A Depressão era-me apresentada como uma outra doença, mesmo quando já tinha diagnóstico de Esclerose Múltipla, e os psiquiatras que consultei nunca levantaram a suspeita de ela ser outra coisa que não Depressão. E também não contabilizei os primeiros anos e os primeiros surtos da doença. Tardei a lembrar-me deles e a perceber que faziam parte dela. Revista assim a história da minha doença tenho que aceitar que ela atrapalhou-me a vida, mas estou certo que um diagnóstico e um tratamento convencional mais precoce não teriam adiantado nada. Teria adiantado o diagnóstico se mais cedo desenganado do tratamento convencional ou simplesmente constatanto a sua inexistência, tivesse mais cedo procurado os serviços da medicina não-convencional.

Comentários

  1. A mãe é do Porto (ou do Norte) Eu também sou do Porto. Ela não diz "força", mas "fuarça". Eu falo mais levemente à Porto que os meus pais eram transmontanos. No fim apareceu a identificação de duas associações de doentes - ANEM e SPEM - e de uma farmacêutica - Merck. Nunca me aproximei da ANEM e já me afastei da SPEM. O que mais reprovo a estas associações é a sua dependência da medicina convencional ou farmacêutica e das farmacêuticas (e também dos partidos políticos, mas o problema destes não é outro se não também serem dependentes das farmacêuticas e da medicina convencional ou farmacêutica).

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